dia um
E se desfaz momento... reatando princípios, morrendo por dentro, espelho, reflete, espalha, duas idéias sobre a navalha, o fino corte e a elegância de ter, espaço, espaço, enfim viabilizando o fim, reestruturando frações, dividindo em tempos iguais, mas um passo sobre a guelra, já não posso respirar, e o peso sempre cai sobre mim, a bagagem domina, e o valor é dado a tudo que o condena, a noite hiberna, o sol aquece, o chão queima e feridas desaparecem... sirva-me seu melhor prato... leve-me pra deitar, como é grande o nosso quarto, mas para o “nosso” não haverá lugar, lugar capaz de conter e restringir proporções... e tudo foi feito pra ser infinito, indestrutível a olhos divinos, mas a divindade falha e a humanidade ataca, tudo posto em seu lugar... o concreto agora é esperar, olhar a montanha e ver que o “fazer acontecer” é só mais do romantismo perdido em vias banais, a teoria é refazer, reconstruir, deixar passar e não assumir, não é um fardo ser normal, é só um fato, ser comum, destrutivo e capaz de guardar as pedras atiradas, olhar e ver o quanto pode ser prejudicial... caminhar, e ter, a ponto, renascer... pular e ver sobre o muro, um mundo inteiro que não foi feito pra se ver, escondido em ser, tentativas inúteis de poder, a reação é falha, a revolução é fraca, e a evolução nem se fala, sou o mesmo e inevitável ser... já não tento evitar o poder... o poder que não tenho, que não nasci pra ter, o poder um dia criado pra me “proteger”, um dia se acaba, um dia se acaba, na janela do terceiro andar já não vejo nada, o que alegra é só a fachada, interiores meramente iguais, uns mais a mostra, outros mais normais... sinto decepcionar, mas o que há é a vontade de correr, entregar os pontos ao vencedor, assumir a posição de coadjuvante do existir... relatar fotos e distorcer visões, canalizar fatos e direcionar a parede, e destruir barreiras, barreiras que criei para me proteger do lixo de uma nova manhã, acordar e ver TV, participar de tudo que não lhe diz respeito, e caio hoje, sem ser eleito, rei do nada, sobre a escada, declamando a posse, posto em pose, o quanto eu quis não merecer, fiz-me em nós e tentei correr, falha minha, sucesso árduo, eu quis falhar, eu quis falhar, admita! Eu quis falhar... entre seus descasos quem vai encontrar? Entre os carros atravessar, avenida crua, avenida fria, avenida tola... quem vai chegar? Quem vai chegar? E livrar do frio que quis proporcionar, encravando em mim, tentando evitar, um passo a mais, nem um passo a mais... parado ao canto sem respirar, só esperando terminar, mais um comercial e eu vou entrar, já é um circo, vamos dançar, o palhaço cai sem perceber, fazendo rir ao se machucar, já são tantas fotos e tento nem olhar, atrás de grades querendo voar, é só mais uma atração a nos entreter, em espaço curto, tentando viver... e quem vai me convencer que nasceu pra ser assim, o direito de ir e vir não se aplica a mim? De braços atados sem poder lutar, um histórico vil, só resta me envergonhar... quem vai trazer heróis pra nos massacrar, nos proteger e condenar, tão fraco e tolo, quem pensa ser? Entre chás e bolos se fortalecer... agora a mente acanha, quem é você? A página acaba, vamos refazer, o dia nasce prestes a morrer, eu conto as horas sem saber, a noite chega e se faz perceber, a chuva cai sem nos molhar, sobre o banco prestes a recontar, quantos minutos até o trem chegar, e o meu destino eu sei inteiro, quantos passos, quanto dinheiro... mas tudo perde o seu valor, todas as teorias perdem o sentido, sentado no ônibus, a 20 minutos do sonho estabelecido, fazendo-me mais uma vez pensar, quanto tempo posso ficar sem acordar? Sentir-me único em qualquer lugar, ganhador dos pontos que acabei de entregar, o tempo é bom, tem que concordar, quando o sol não queima e tudo tem o seu lugar... onde se esconde sem imaginar que o mundo não vai acabar amanhã... é fato... não mereço o seu abrigo... mas aceito de coração, só mais um dia de inverno e nada mais...
Treze

Vamos sentar e ver que nada mudou
Que nem sempre soube me proteger
O sol sempre queima o que restou
Do corpo inerte, prestes a falecer

Quem vai voar agora que soltei minha mão?
Veja em meus olhos o sabor que eu guardei
De tantas derrotas sou apenas mais uma ilusão
Do que um dia sei que foi asa... se um dia fosse rei

Hei, por favor veja o retrato que eu me dei
Sem perceber a quem eu fui me entregar
Já nem me importo de saber quanto eu tentei
De quanto naufraguei sem ao menos evitar

Mas por favor não... não me peça para ficar mais
Eu já não quero mais... não quero ver a festa terminar
Entre mil balões, sinto muito, mas agora tanto faz
Eu sempre deixei passar, eu sempre deixei passar

Sem ao menos evitar
sem querer ser repetitivo, ma já o sendo...
Convença-me que foi pecado deixar a luz acesa
Sempre esperando você chegar e me abraçar
A luz tão fraca acaba por limitar a minha certeza
Acabo de atirar todas minhas pedras ao mar

E quem vai pagar enfim? E ver o show se destruir
Sem perceber que o tempo sempre se quebra ao sorrir
Deixar e ver que a correnteza vai enfim nos afogar
Quem vai me explicar e dizer qual é a hora de nadar

E sentir que todos morreram e se enterraram em você
Explicando meus conceitos e em palavras se perder
Não há mais ar pra mim, isso é só o que eu colhi
Eu sei, lancei-me ao mar... e quem vai morrer por mim?

Já tão distantes, eu sei, o quanto eu quis não saber
Admito enfim a cura... sei que eu nunca soube como beber
E a fonte acaba por secar... sem que possamos saborear
E eu não nego mais, morreu aqui... tão seco e sem ar...


Já tão fraco, eu nem sei mais onde devo pisar, sempre tão cego, sem ser capaz, de me virar ou aceitar, esperando sempre a sua mão, esperando sempre uma condição, mas agora é tarde, lamento saber que acordou, pode deitar, o sonho não acabou, fingir ser mais forte e enfim superar, falsas derrotas que sempre pairam no ar, sentir que não, sentir que são bolhas de sabão, que vão estourar e não vão nos machucar, sempre tão par, sempre vai se repetir, a mesma história, o mesmo fim, a mesma revolta e as vezes me cansar... seremos filhos daqueles que nos roubam o mar, impondo desejos, trocando os dias por falsas rotinas sem nos perguntar, é isso que eu quero, é isso que eu sempre quis? Enfrentar dragões, sentar na piscina sem resistir, a ser morno e contente, uma estrela cadente, o que vou pedir? Sair daqui, voltar onde parei? Já não é pra mim... tão falsas certezas, o caminho parece sem fim... o que você quer? O que você quer? Já não posso conter, realmente dizer, espalhar suas nove vidas ao ar... o barco sem mim, seguiu o mesmo rumo que, o mesmo rumo que... o mesmo rumo que eu não quis seguir... pular e nadar, nadar e continuar sempre a me afogar, a correnteza desfaz, a máscara cai, a maquiagem mostra quem eu não quis ser, é tão simples e fraco, é tão... tão triste saber que não vou acordar... e já tão fraco e sem saber se devo continuar, a pisar sobre vidros ou então.... ou então... devo me sentar e ver o sol partir...
ainda sobre
E quem dirá o que aconteceu, quem contará mais essa história? Quem é o rei aqui? Quem merece resistir? Curvar diante da curva que não diz nada, olhar sempre em frente e não ver a estrada, lamento, o caminho é esse, mas realmente já está tarde para que eu o acompanhe, e sinta, espero que ganhe com isso, espero sinceramente que ganhe, já não vejo sentido, apenas fotos, os filmes são velhos e repetidos, roteiro pobre, pobre e infalível, a tragédia se completa, os passos em vão, os capítulos sem fim, e todos os detalhes que foram colocados pra encobrir a história, para que não percebêssemos que não havia mais uma história a ser concluída... e ela só continuava por medo e vontade que não fosse assim, que voltasse a ser, mas acontece... bastian não estava aqui, e por isso deve temer, e eu já não sei de mais nada, todos os textos revirados nos degraus da escada, não vimos quem viemos pra ver... e não entendo... acaba de acontecer...
sobre o mesmo...
E esperar? Acreditar no conceito do desespero... e esperar.. esperar o que? Tudo cai agora, tudo se revolta, por alguma causa? Não! Não há causa, já não há o que um dia fomos, se é que um dia houve, só existe o hoje, se é que há... ah... se pudesse explicar ou convencer, ah... ah se... correr lhe diz respeito? Morrer se fará valer, se fará valer, temer a quem? Temer crescer entre as pedras, lembrando que não há vida entre as pedras, entorpecendo meu ser... e a cada dia mais... morrer... já não é para mim, já não é... hoje? O que é o hoje sem o ontem? Significa algo assim? Eu sinto, sinto em não ter em que acreditar, não acredite em mim... eu não acredito em você... agora sei o quão falsas foram as palavras, ritmadas e destinadas a quem não existe, temo em dizer que nunca existiu, e se perde, se perde, se perde aqui.... morrendo em meus braços junto a mão que se fecha para apunhalar seus dias pelas costas, sem que saiba, sem que imagine o quanto posso ser vil, estaticamente falando, deixando o tempo se perder, olhando e respirando fundo sem saber, eu acabei de me evitar... eu acabei de me evitar... deixei cair as moedas, agora devo me enforcar? Ah não... não agora... e satisfazer aqueles que pagaram para ver isso acontecer? Não! Isso não é mais para mim... está morto... mas ainda não está enterrado, eu sei, por quanto tempo insistiremos em reanimar com as inúteis massagens cardíacas, elas não funcionam, não mais, e sempre nos damos uma nova chance, sempre... e o que me deve em tudo isso? Não me deve nada, talvez eu me deva, talvez... talvez teria sido melhor se tivéssemos matado ao invés de arrancar as pernas... e as asas? Voar? Não, já não é possível, carregamos peso demais... estamos caindo, sempre estivemos... mas há algo nos incentivando, há um apoio, um lugar para escorar nossos medos e desejos... sempre parecem estar apostos para nos dizer que vai dar certo... e as vezes chego a acreditar... destinar todo o tempo que disponho para fazer acontecer, mas nem por isso me empenho bastante... mas sinto que posso, mas eu já não acredito em mim... tão incapaz de dar um passo... aceitando-o sempre que bate a minha porta... e então me chama para sair, e eu já não posso evitar o convite, mas eu sou tão pobre e quero sempre mais, mas nunca terá mais, seria bobagem dizer que não se importa o quanto eu me importo, pois sei que se importa, mas o que me faz ficar aqui e esperar, são as faltas de opções que me deixa, e eu já não tenho força ou coragem para me decidir, fico sentado no canto do sofá, esperando que volte pedindo pra ficar, sazonalmente isso acontece... e me preocupa... é triste ter que aceitar e ver, que quando volta, a cada vez, só há uma coisa a dizer... “como você cresceu!”... eu acho que cansei, eu acho que não quero mais... mas eu acho que estou errado, e portanto nunca sei o que fazer... queria dizer sobre tudo isso, queria dizer sobre teorias e conspirações que assombram minha mente, queria dizer o quanto estou feliz, o quanto tudo mudou... queria saber de suas histórias, conquistas e derrotas... e tudo se refaz, repassa como um filme... já tão gasto... já que é só isso que resta além de “como vai a vida?”
.........nobres influências.
O que compete é reagir... vamos lá, vamos seguir... por simples passo volto atrás, mesmos erros.. nem sei mais... restam poucas horas, vamos dormir? Esse é o seu lado, eu fico aqui... simples como reagir? Não amigo, eu fico aqui... o que resta apenas é a fresta pequena... eu vejo o sol, vamos voar? É tão frágil... fique aqui... eu o protejo até o fim... cresça enfim, plena consciência? O que sobrou pra mim? O que resta? O que resta? Já é festa, vamos comemorar... ouvir a música, você quer dançar? Veja no espelho, há algo refletindo... o corpo inerte a espreitar, o tempo todo, sem deixar, por um segundo, o tempo escapar... a luz apaga, seja em mim, o que convém é repetir, ser o mesmo, ou seja, ninguém... vamos amigo... há alguém... a sombra revela um corpo inerte a espreitar, o tempo todo, sem deixar, por um segundo, o tempo escapar... fugir da noite, encarar o dia, já não somos os mesmos, contando minutos para o tempo não passar... o hoje é corrido, amanhã já não sei, do ontem eu me lembro... agradecimentos em vão, não fiz mais que a obrigação...

E eu não sou quem direi ser
Conclua enfim, eu sou você

Venha! Vamos nos rebaixar
Sentir o frio, sentir queimar
As mãos sem luvas tendem a cair
Os olhos sempre quebram ao abrir
Mais um sonho, por favor
Com o café já sem sabor
E o meu sangue quem derramou?
É vinho tinto ou é calor?

Perdeu-se aqui... caminho sem fim
Perdeu-se aqui dentro de mim

O suor mancha sua reputação
Não há calos em suas mãos
Compreenda, eu não nasci pra ser...
Não vou mudar o mundo, não vou viver

Venha! Vamos nos rebaixar
E vamos enfim nos orgulhar
Eu não sou nada, quem é você?
Já não é tão simples de se entreter

O frio da noite já não reflete o calor que o dia nos proporcionou... não é passado, é nostalgia do que apenas começou... sempre aqui, longe daí, pintando outono, esperando entrar, o frio que aquece sem queimar, e eu sempre quis, maior que eu, vou suportar, deixar jamais, buscar sempre encontrar, atrás da porta o corpo inerte a espreitar... sorriso falso, vai passar, é tudo amarelo... pode acreditar... vê a luz? Vai passar... é simples assim, meu amigo, é simples assim... perdido aqui, olhando ao longe, por um segundo , abstração constante... perco o tempo, passa o segundo, descompassado e lento, o ritmo já se faz música... o ritmo sempre foi música... meu amor... dê-me a mão e vamos voar... ser o que eu já não posso explicar...

Os sons são como gritos, trava o lápis, queima a idéia... o tempo é curo e o vejo passar, na locomotiva cinza, acabo de perder... mais um segundo... o que fazer... sempre acumulando, o que vou dizer... e eu só fiz por merecer... e eu só fiz por merecer... termino outono, primavera enfim, inverno pronto, verão ruim... pincel e tinta acrílica não são pra mim...

Os versos são simples e pobres, eu sei... apontam o centro, onde me enganei... o que se passa eu já não sei, desinformado, talvez... preso em meu descaso mais uma vez... buscando espaço para encontrar o trem que vai levar, meu corpo inerte ao seu lugar...
é raro quandos as palavras resolvem aparecer
Destrutivo, assim resume o espaço... compreensível, não haveria de ser outra coisa, mais uma vez se tornando vil... o garoto apenas sorriu, enquanto alimentava meu corpo... meu febril e desajeitado corpo... os olhos miravam o horizonte... o intocável, o utópico horizonte... o ar já não passa por minhas vias nasais, seus argumentos.. já não posso engolir, desejo, desejo e desejo... voar é preciso, meu amigo... equivale aos mesmos ao negar suas asas, compreenda, eu não quero o seu bem, tão pouco o seu mal... queria apenas entender... e sentir que a confiança é recíproca, os erros se repetem... está na hora de cessar, interromper o ciclo, e deixar que tudo seja história... pedaços vãos, encaixe perfeito... as ruas tomam a cor do horizonte... o lustre reflete seu rosto... Amordace seus sentidos... está tudo vindo abaixo... os conceitos a espreita de ceder, argumentos feito para convencer... convencer a quem? Não há mais ninguém na sala... vê alguém na sala? Vê? Não, não, está só e sóbrio sobre seus instintos... a febre aumenta e os delírios chegam... as paredes giram? Quem está falando? O telefone toca e não é ninguém... nunca é ninguém... ouça os passos.. estão entrando... chamarão por você? Sentiram sua falta? Não! Nunca sentem... o perfeito ciclo da substituição... e ver estrelas, o conforto pleno, na crença do perfeito seguir o esplendido... e nada mais é contradição... tudo segue a mesma direção... sentir os passos e aguardar a chegada... morrer sempre... sempre...
busca vida...
E se estivéssemos a ponto de cair? De cara para o nada, repensando tudo, mudaria algo? Vamos! É a sua chance... suaves prestações onde nada valeu... sim, eu sei, nada mais inculto que você, nada a acrescentar? Não né! Nunca teve... passando sempre despercebido, jogando- se em cantos, tentando impressionar... vamos, vamos... segura a minha mão... segura... se assim se julga digno, se acha poder tocá-la... não acha, esse é o seu problema, não acha... sempre os põe em um pedestal... sempre está abaixo, sempre subordinado a odiá-los sem poder demonstrar, e mais um ano se passa, mais um ano sob a triste condição humana, mais uma vida e desprezo, mais um dia coeso, assim como os outros e também como os que nunca fazem sentido... como aqueles que passam por seu dias, sempre mentindo e tendo palavras para consolar, sempre com alguma frase pré-fabricada... é estranho, é sempre a época mais triste, é como se dispuséssemos a pensar no que deu e poderia dar errado, sobre as coisas que nunca fizemos ou que nunca vamos fazer... e que falta menos para os 27... mas se assuma a história... há sempre bons momentos nos vinte setes... mas agora... e agora? Voltemos ao primeiro passo, diante da queda, tem a opção de amarrar a corda elástica em seus pés com a certeza do retorno, ou pular sem ela, numa queda inconseqüente e sem volta... e pode também parar... e sempre e nostalgicamente lembrar do passado, pois os vinte setes próximos passos se encontram abaixo de seus pés... é tudo um risco como sempre foi, continue pelos cantos como sempre fez... a tarde já se faz noite agora, o tempo passa rápido já faz meia hora... e você? Você não evoluiu um passo sequer... talvez não tenha nada mesmo a acrescentar... talvez o mundo não deva mudar... faz parte de toda essa destruição... ativa e passivamente... obstruinto sempre o avanço e o progresso, não passa de um nada, isso.. um nada... e comemore isso como quiser... a prova que nada fez... um dia, uma noite, tanto faz, alguns anos diante da história não representa nada... não se sinta tão culpado assim... toda a relevância da sua vida se resume a isso: pó!
E a sua conclusão sobre tudo?
Fechar os olhos e abandonar o mundo?
Quem pensa enganar, meu filho?
Não adianta fazer pipoca sem o milho

Cada noite se refaz em pleno dia
Cada nota em perfeita harmonia
Cuidado com os restos na escada
Os cacos onde a dor se faz morada

Descanse! Que a cama seja sua agora
O disco predileto toca na vitrola
Despertando o sono de seu sonho
Vivendo o sonho em seu sono

Controlando o que se faz presente, mais uma forma de ser evidente, a dor do excesso em meu estomago, o caos da dor latente em minha mente, o sono fecha os meus olhos, o cansaço procura por minha cama... o espaço é muito e o tempo pouco, o frio alimenta o desejo preguiçoso, não mais que o sol podia trazer em indisposição, o tempo se fecha... o arco se completa com a flecha, o som da locomotiva rumo a minha casa, rotineiros dias como um ponto em meio a estação, onde pessoas e suas vidas entram em colisão, é tudo rápido e inesperado, todos seguem sem ser notados, os olhos que se cruzam são desviados... e segue assim, sempre com o mesmo destino e sem hora pra chegar... sempre a rotina é quebrada há algo bom pra se lembrar... e eu sei que me faz bem, e que é positivo acreditar...
sete...
E ter a sentença desejada e ter o momento oportuno, correr sempre na mesma estrada... direto a Saturno... pedir pra ver a capa e suas chamadas, o índice da página rasgada... resgatar o lago, afogar o mago e todo seu encanto, as cartas causam prantos, alcançando a contradição, e tudo mais é ambição, a corrente é seu suporte, escravizando-se como pode... o futuro é só uma ambição, o presente uma condição, negar os passos, negar espaço, correr sem nenhuma direção... a chuva ontem, o vento ontem... o frio hoje, o abraço hoje, é natural prever a melhora... pela janela vejo luzes, luzes apagadas agora, viagens sem demora, uma hora, uma hora distanciando-me de onde deveria estar... quem dera alcançar a velocidade da luz... e repetir o tempo, e me prender no tempo, nem que por um momento... sentir-me capaz de controlá-lo, e não me sentir controlado... é inevitável, é inevitável... pontue os contos e eu apago os pontos, é sua única condição... dizer-se capaz, as vezes me sinto tão longe de onde deveria estar, mas é minha casa, meu lugar... mas meu mundo agora gira em outra casa, outro lugar... e se completa a caça sem se machucar, ambos presas sem prêmio ganhar... vai-se feito de orgulho... faz-se o melhor salto... um mergulho... abra os olhos!! O sonho era real...
...seis
Onde o sonho se completa e o céu se torna visível... é tudo compreensível... a distancia do chão até onde seus pés podem chegar... o limite de voar e pular... o salto não é importante... a altura não é importante... o importante é a sensação única... a sensação de voar... a sensação da queda livre... de estar amparado, que seu nariz não tocará o chão... a verdade não existe, a mentira não existe... o mundo não existe... é um sonho, é tudo um sonho! A idealização do real... onde mais eu poderia correr, pular de cima de um prédio, abrir meus braços e voar? É confuso, é irreal, é mágico... é certo e infinito...
(...)
Acreditar? Não me peça para acreditar... voltar e ver que tudo foi por nada? Isso não é pra mim... contudo... evite-me, eu não sou boa influência... posso garantir... sou apenas um estereotipo da moda... um nada, sem nada a acrescentar, a menos que lhe convenha ouvir algo... a menos que queira que seja interessante o que tenho a dizer, será, caso contrário não... eu não posso mudar sua vida antes de você mudar a minha... eu não posso lembrar seu nome sempre, vai contra todos os princípios, todos os princípios e barreiras que eu criei para não estar na moda, são todos vícios, são todos vícios que cultivei numa vida medíocre... eu sou o que lhe compete... a música tosca e mal tocada...
A linha do metrônomo separa o dentro do fora, o bom do ruim, é tudo feito em segundos exatos, segundos que não podem ser ultrapassados, tudo feito entre certo e errado, e tudo isso criado por quem nem sabe o que se quer passar, mas que só é bom se está dentro das normas... mas que se torna bom se quebrá-las totalmente... mas isso criará novas normas... o que nos remete a insana e infindável repetição... e sempre alternância do bom ou ruim... moderno ou igual... a moda... a moda... invistamos na moda... eu não acredito nisso... eu só sigo as tendências... sejam boas ou ruins... eu prezo é pela aparência...
(...)
Qual é a sua relação com o infinito? O abismo é a sua saída... qual a sua fronteira com a sanidade? E em quais princípios define a sanidade? Quão são é dedicar a sua vida a uma repetição interminável? Estamos dispostos a isso... estamos crescendo...
... sono... apenas isso
Eu não quero mais morrer, eu não quero mais morrer
Cansei de ver as luzes rastejando pelo chão
Mais uma forma de cair e ver
Eu vejo, é fácil odiar
Não quero mais entender sobre alienação
As palavras não o diferem de ninguém
E agora me falta ar, agora me falta ar
Vamos seja o centro enquanto convém
Eu cansei de ver as luzes rastejando pelo chão
Senti-lo igual e sem nada a dizer
O palhaço é sempre bem-vindo
Olhe e veja como eu estou sorrindo
Eu quero morrer, se isso for viver
Nada disso foi feito pra mim
Caia em seu próprio poço, cave o fim
E não haverá minhas mãos
Cansei de ver as luzes rastejando pelo chão

(...)

Consumido, a cada minuto com um minuto a menos, o prazo se esgota rápido, as horas passam rápidas demais... olhe! Olhe! Está passando o seu filme predileto, a corrida firma objetivos, restrições! O mundo parece não ter mais dias, não há diferença entre eles, mentira! Há sempre algo novo, pronto e feito, num pacote instantâneo, é só colocar água fervente, corrija! Perco, perco e perco, as sensações são úteis, os passos inúteis, sempre a procura de um lugar para sentar e descansar, água, quero água... matar a sede com o gelo, quem aqui quer proteção? O sol queima, o sol queima, traz marcas, mas esqueça... as pessoas andam muito rápidas e nada mais disso faz sentido...

(...)

Umas horas a mais e tudo se torna confuso... o tempo parece maior, a distancia aumenta, a comunicação falha... tempo demais acordado, tempo demais desregulando-me... mas há uma certeza... o mundo cresce... e ele é nosso... sempre... sempre
quatro
E tantos sacrifícios, decadência em contradição
Vícios para vícios, condizendo com a situação
Estamos tão pertos da escada que leva ao jardim
Suas mãos cheiram a flores, e o inverno é para mim

Lamento ter que então dizer
Eu não sei mais o seu nome
Eu não sei mais onde encontrar
Mais alguns versos sobre você
E resgatar a imagem que some
Em meu arquivo ao tentar lembrar

As ruas estão cheias de pessoas que não sabem dizer
Umas duas palavras ao menos que consiga nos entreter
E vazias em um interior de constante submissão alterna
Freqüência barra gritos, sufocando em convulsões internas

Eu sempre insisto em não saber
O que preparara sobre condição
(...)

Além de todas as vias havia um caminho, uma porta, onde os destinos se cruzariam, ou não. Tudo dependeria de riscos, mudanças que ocorreriam, ela teve a chance, ela pôde abrir a porta... mas teve medo, medo de perder o que já tinha, de arriscar naquilo que não era certo... a razão única da vida: morrer... a razão única da vida: tentar... perdida em dúvidas, afogadas em dívidas e promessas consigo mesma, era uma típica cidadã modesta de vida humilde, que tinha sonhos e ambições, que não representa nada pra ninguém, não acrescenta nada a ninguém, parada em seu tempo, e ao mesmo tempo tão a frente dele, era forte e fraca, nada diferente de qualquer pessoa... nada, nada, e como sempre, escolheu esperar, não arriscar, deixar o tempo decidir, sem saber que o tempo não decide o tempo intensifica e/ou apaga, o tempo se destina então a destruir o que poderia ser belo, mas nunca sabemos o que é certo, ela não saberia também, tão presa a conceitos e princípios que a tornam vítima, que a faz temer sua certeza e perder a segurança, temendo que essa mera ficção tenha a ver com a realidade, que seu filme predileto retrate a sua vida, que entre retratos colados, não encontre sua razão, que prefira optar pelo pior... pelo que nunca vai ter fim... não a admiro por sua falta de coragem...
(...)
O mundo para, as horas passam incontavelmente mais rápidas, o coração acelera e o filme passa, e a musica toca, e o dia acaba... vestígios de um lindo final de semana
três
É sim, é apenas uma das conseqüências, aliás, a vida nada mais é do que isso, o que está fazendo agora é conseqüência do que fez anteriormente e daí por diante... por isso nada é novo o suficiente pra julgarmos ter surgido do nada... existe nisso ao menos uma pontinha de vontade para que acontecesse, as nuvens, o sol... enfrentou por que quis sair de casa, as queimaduras, teve por que andou no sol, o creme pós sol usou por que tinha queimaduras... e assim continua, sempre, sempre...
(...)
O que há além do desejo de viver? Quando houve esse desejo? Um simples minuto que o difere do nada... o ato de escolher ou continuar, conter-se ou cair... conseqüências... conseqüências... travando batalhas pelo muro do nada estava mais um de seus guerreiros, buscando verdades na mesma palavras estava mais um de seus mensageiros, o que antes dominava agora cria uma força maior dada ao sensacionalismo, e se relembram atos nobres, mas não os nobres atos de destruir culturas, o nobre ato de julgar inferiores os pássaros, inferiores os quadrúpedes... e vocês bípedes? Onde se encaixam? Onde se diferenciam? Em nada... em nada... essa crença tampa a visão, essa crença cria uma ilusão, não iremos nos salvar por meros credos, mudam-se os nomes, mas não mudam conceitos e porquês... uma vida regrada, sem nunca darmos um passo a frente... sem nunca nos responsabilizarmos por nossas conquistas, nada disso existe, é tudo um produto que está a venda, aliás, aqui entrego-lhe a venda, tape seus olhos e continue seu caminho, sempre junto ao gado, sempre rumo ao abate... será que não vê isso? Uma simples intenção, uma simples condição camuflada em discursos feitos para convencê-lo de suas necessidade apocalípticas, de ter um refúgio no fim... a simplicidade do nada refletido em um espelho convexo, a complexidade das palavras em frases que não se pode entender, mas que mesmo assim se deixa conduzir... talvez fosse mais forte sozinho...
(...)
“Quero que você me aqueça nesse inverno”... e que tudo mais vá para o inferno... não há hoje, não há amanhã, há apenas um tempo que não quero nunca esquecer... a perfeição das horas que duram segundos, a sensação de proteção... “eu te darei o céu meu bem...”

dois
Teorias de reinventar o mundo... construir conceitos... destruir pré-feitos... e toda a conspiração que disso aparece, os motivos, as falhas, os olhos que sangram, as mentes que voam... interferem em ondas sintetizando o ser, palavras que não significam nada, argumentos do absurdo, tudo sobre a estadia na hora errada, sobre o novo e seus feitos, o herói e sua força, suas asas, sua bolsa... a sua revolta e seu sangue, a sua história como um tsunami... devastando vidas e corroendo futuros, remoendo passado e tudo que pode levar consigo... as horas que antecedem o acontecimento... as luzes que ofuscam o momento... nem me lembro quando isso aconteceu pela última vez... e como espero pela nova... a volta... a re-volta, como quiserem considerar, os erros, as falhas, o sangue, a vitória, a sensação de alívio... a leveza e insubstituível cansaço... tudo isso novamente... tudo isso latejando... constantemente... o desejo se faz presente... as cordas se quebram, rompendo a barreira do inevitável... as luzes apagam e algumas coisas não mudam... talvez não os veja, talvez os veja sempre... ou quando menos esperar, voltamos a mesma situação... jogados ao tempo buscando soluções... a trilogia gira sempre na mesma história... e sua incrível capacidade de se repetir, anunciar a desgraça, suprir movimentos, calçar as falhas... e levantar os filhos seus... um mundo feito para nos destruir, um mundo que parece não passar e deixar-me em paz... mas admito horas felizes, admito as horas mais felizes do mundo, que porem, passam em dez minutos... incansável tempo... relógio mecânico contando regressivamente para o fim... desiludindo um ser que nunca quis acreditar, iludindo quem busca se salvar nesse meio tempo... salvar de que??? De quem??? Você fez isso, pague por isso, você não fez isso... pague por isso, mesmo fim pra todos... teoricamente, é claro...
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